A Culpa É das Estrelas – Resenha

Resenha, Romance

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Título: A Culpa É das Estrelas

Autor: John Green

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2012

Páginas: 313 p.

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Sinopse: Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

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Hazel Grace, uma garota de 16 anos, está em fase terminal. Foi diagnosticada com câncer aos 13 anos e por um “Milagre”, acabou sobrevivendo. Vive graças aos tubos conectados por seu corpo, mas aguarda por sua morte a qualquer momento. Enquanto isso, lê seus livros, maratona séries, frequenta a universidade e vai a um encontro na igreja para pessoas com doenças como a dela: o Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. E é neste grupo que conhece Augustus Waters, 17 anos, futuro amor da sua vida.

Confesso que estava receosa de ler este “clássico do drama adolescente moderno”. Digo isso porque é de conhecimento geral a existência desse romance, e mesmo que você não tenha lido ou visto o filme, com certeza já ouviu falar. E este fato foi o que me motivou a ler – para tirar minhas próprias conclusões: se o livro merece essa “babação” extrema ou não.

Sinceramente, drama não é meu estilo literário favorito, mas, caso fosse, acho que A Culpa é das estrelas atenderia ao mínimo pedido por um drama. John Green conseguiu emocionar ( não tanto assim, mas um pouco sim ) e fazer a leitura fácil e fluída. É um daqueles livros que conseguimos ler em uma madrugada, pois não é enjoativo e realmente queremos saber o que acontece no final, apesar dos spoilers que muitos já nos deram ( se você não levou um, considere-se sortudo).

Sobre os personagens: gostei do jeito que o autor os desenvolveu. Para mim, Hazel no início deu certo desconforto, mas depois me acostumei com ela e passei a gostar da mesma. Talvez, sem querer, tive pena dela. Depois que compreendemos sua realidade fica meio difícil não ficar triste.

Gus foi o ponto alto do livro. Meninas veneram ele e não é sem razão – o cara é um galã. Na minha opinião, o autor focou demais nisso e acabou não falando muito sobre seu PASSADO, o que eu queria saber bem mais. O que ele fala para Hazel não é suficiente, e não sei se era esse o propósito do autor no final, nos fazer querer saber mais e sentir que não podemos, que somos incapazes. Se foi, então conseguiu.

Gostei muito da mãe da Hazel, é uma daquelas personagens que nos fazem lembrar nossa própria mãe. O autor trabalhou muito bem os pais dela e sua dor em poder perder a filha a qualquer momento. Nota dez.

A única personagem realmente inútil foi a Kaitlyn. Sério, eu entendi a intenção do autor de colocar uma amiga na vida de Hazel, mas ela é extremamente superficial. Só está ali por estar. E eu realmente acho que não seria o tipo de amiga de uma garota com câncer, intelectual e com crises existencialistas.

Não mudaria muita coisa no livro. O fato da a trama se basear em Hazel e Gus desejando saber o final de seu livro favorito, ”Uma aflição imperial”, me entreteu bastante, e sinceramente, foi o que me prendeu à história. Passear com eles por Amsterdã foi divertido, e o romance entre Hazel e Gus foi envolvente. John Green conseguiu criar um universo tão parecido com a realidade, tão idêntico, que me surpreendi quando soube que, por exemplo, os livros e o Falanxifor não existem de verdade.

Enfim, a Culpa é das Estrelas não te acrescenta MUITA coisa… Não toca a alma lá no fundo, mas te deixa meio pensativo. Faz refletir sobre a vida, sobre como se pode aproveitar ela. E sobre como algumas pessoas – que foram atingidas por doenças – não têm essa mesma chance de aproveitar. O nosso infinito é maior que o delas, por isso temos que desfrutá-lo da melhor maneira possível.

escrito mari

nota 4

A Última Música – Resenha

Resenha, Romance

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Título: A Última Música
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Ano de Publicação: 2009
Páginas: 383 p.
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Sinopse: Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seus pais se divorciam e seu pai decide morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. O pai de Ronnie, ex pianista, vive tranquilamente na cidade costeira, obcecado na criação de uma obra de arte que será a peça principal da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e, conforme vai baixando a guarda, começa a se apaixonar profundamente por ele, abrindo-se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade- e dor- jamais sentida. Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão – o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão – A Última Música demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração.
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 A Última Música começa com a personagem principal, Ronnie e seu irmão, Jonah, sendo levados pela mãe para passar o verão na casa do pai. Ronnie não está muito feliz com isso, pois o pai mora numa cidade litorânea pacata e ela curte baladas e agitação, além de que desde que ele e sua mãe se separaram o relacionamento dos dois ficou complicado.

Parece que vai ser mais uma daquelas estórias de adolescentes rebeldes mostrando toda a sua rebeldia, porém assim que Ronnie  conhece Will, um jogador de vôlei que dá uma bolada nela quando ela está passeando por um festival na praia, começamos a ver uma outra parte da personalidade dela aparecendo.

Conforme os dois vão se apaixonando, percebemos que, no fundo, ela é na verdade uma menina  bem sensível e não a revoltada que se mostra nos primeiros capítulos. Aos poucos, vamos conhecendo-a de verdade conforme ela se abre para Will, ao mesmo tempo em que vemos a relação dela com seu pai melhorar cada vez mais. Muitas coisas acontecem durante esse verão, e, no fim, temos uma estória triste e feliz ao mesmo tempo.

Eu acabei não gostando muito desse drama misturado com romance, porém pode ser porque eu fui ler querendo um tipo específico de estória, e não tinha nada a ver. Estava em busca de um livro “fofinho”, mas acho que cheguei à conclusão que Nicholas Sparks não é a melhor opção pra isso.

O livro tem vários pontos escritos com a intenção de serem tensos ou tristes, mas nenhum deles me tocou. Romance não é meu gênero favorito, mas escrito de uma certa maneira consegue me fazer chorar e ficar apreensiva, e estava procurando por isso quando peguei A Última Música na prateleira.

Achei que tiveram algumas (várias) partes da estória que o autor poderia ter aprofundado mais. Ele colocou vários “segredos”, mas não desenvolveu realmente nenhum. Tem vários acontecimentos que ele poderia ter desenvolvido melhor, talvez se ele tivesse focado mais em apenas alguns, ao invés de colocar tantos, teria dado mais certo.

Ao longo do livro conhecemos muito bem o Will, a Ronnie e o pai dela, Steve, mas senti muita falta de conhecer melhor a amiga dela, Blaze. Ela aparece bem no começo e no final, mas no desenvolvimento fica  em segundo plano, e sinto que ela poderia ter aparecido bem mais. Capítulos do ponto de vista dela seriam uma boa. Digo o mesmo para a mãe da Ronnie, Kim.

Bem, eu não tenho muito mais o que falar. Só li dois livros do Nicholas Sparks até agora, e entre esse e A Escolha, prefiro o segundo, porém se você gosta de um romance dramático com alguns clichês, vai fundo. Esse livro é tão famoso que tem até filme, então provavelmente várias pessoas gostaram dele.

nota 2

leticia

Eleanor & Park – Resenha

Resenha, Romance

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Título: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Ano de Publicação: 2012
Páginas: 328 p.
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Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.
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O livro, logo no início, nos apresenta uma das personagens, Eleanor, uma garota que havia passado um tempo fora de casa, mas que agora retorna a morar com a mãe e percebe que nada mudou, tendo que enfrentar as mesmas dificuldades. A sua realidade é de uma família pobre, onde tem que conviver com o padrasto violento e com uma mãe que é totalmente obediente ao seu marido, e por isso, muitas vezes acaba sendo agredida. Mesmo com vários problemas dentro de casa, ela sempre tenta ser uma pessoa forte.

Eleanor é o tipo de garota que acaba se diferenciando de qualquer um pelo seu estilo de roupas chamativas e seus acessórios, junto com um cabelo ruivo um tanto que desordenado, e assim, sendo impossível não atrair os olhares dos outros para si. É por esse mesmo motivo que ela acaba sofrendo bullying constantemente dos colegas. Em seu primeiro dia de aula, no ônibus, ela é logo motivo de risadas e piadas, onde ninguém quer que ela se sente ao seu lado. Assim, ela encontra um lugar vazio ao lado de Park, que a deixa ocupar o lugar.

Diferente dela, Park vive uma realidade totalmente diferente da sua. Ele é um mestiço, sua mãe é coreana e seu pai americano. Ele possui um irmão mais novo e sua família lhe oferece uma vida muito boa, mas tem grandes problemas com seu pai, que não entende e nem aceita o jeito diferente do filho. É um garoto que procura ser quieto e não chamar a atenção, permanecendo sempre em um mundo só seu. A princípio ele também acha Eleanor estranha, e mesmo pegando ônibus juntos e sentando um ao lado do outro, os dias vão passando sem que não haja nenhuma conversa.

Park está sempre com seus fones de ouvido no último volume e lendo seus gibis. Ele logo percebe que Eleanor também está lendo com os cantos dos olhos, e então passa a lê-los mais devagar para que ela acompanhe. Em uma dessas vezes Park começa uma conversa, e a partir disso a relação entre eles começa a se estabelecer, descobrindo cada vez mais as semelhanças que cada um possui. A música se torna um assunto em comum, e além de revistas em quadrinhos, ele passa a gravar suas músicas preferidas para que ela escute. Assim, um se torna tão importante para o outro que eles só pensam nos momentos em que poderão estar juntos. O final de semana acaba sendo entediante sem a presença do outro.

O livro se passa em 1986, e isso é percebido ao longo de toda a narrativa por conta das referências do universo geek, além do punkrock dos anos 80. É difícil ler Eleanor&Park e não se envolver com os personagens e a história. O livro não vai apenas contar sobre um romance adolescente, mas também envolver assuntos como o bullying, preconceito, aceitação do corpo, sexualidade e muitas inseguranças e medos. O companheirismo que um possui como outro e como compartilham as dificuldades que enfrentam é o que acaba fazendo você se emocionar.

A obra possui uma leitura maravilhosa, pois é simples e direta, não a tornando cansativa. O livro é abordado de uma forma que possui a perspectiva dos dois personagens, intercalando entre si. Isso é interessante, pois faz com que o leitor acompanhe a visão de cada um contada pela autora.

O final é surpreendente e inesperado. É como se você terminasse o livro, mas com a sensação de desejar ler mais e saber o que acontece depois. Pode ser algo diferente para alguns ao terminar de ler, onde o final pode decepcionar, chegando a causar certo estranhamento, já que é um final imperfeito e buscamos um final feliz, mas com certeza causa no leitor uma pequena esperança. É um livro comovente e que passa uma mensagem tocante. Difícil não se apaixonar junto.

nota 5
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