Aconteceu naquele verão – Resenha

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Título: Aconteceu Naquele Verão
Organizadora: Stephanie Perkins
Editora: Intrínseca
Páginas: 381 p.

 

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Sinopse: Talvez sejam os dias, que ficam mais longos e preguiçosos; ou talvez seja o calor, que deixa as pessoas mais eufóricas. Uma coisa é certa: o verão é a estação perfeita para se apaixonar… e Aconteceu Naquele Verão é o livro perfeito para quem adora histórias de amor.
Nestes doze contos, que vão do romance ensolarado aos mais surpreendentes toques de mistério, estranheza e sobrenatural, você vai se encantar pelos personagens e torcer para que todos tenham seu final feliz.
Parques de diversão, montanhas, lagos secretos, shows de rock, colônias de férias e até mesmo outras dimensões – o amor não escolhe hora nem lugar para acontecer. Então coloque seus óculos escuros, abra sua cadeira de praia e aproveite estes doze motivos para suspirar e se encantar.

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Aconteceu Naquele Verão é uma coletânea de doze contos de romance, e o ponto comum entre eles é que todos se passam nas férias de verão. Temos estórias de imaginação, drama e suspense, cada uma delas com um par romântico como personagens principais.

Gostei de todos os contos, alguns mais, outros menos, mas alguns me chamaram mais a atenção por elementos específicos da estória, como o da Cassandra Clare, “Nova Atração”, que gostei muito de ler porque fazia muito tempo que eu não lia livros de aventura/imaginação. Eu nunca havia lido nada dessa escritora e achei a narrativa dela bem parecida com a do Rick Riordan. Outro conto que achei um dos melhores foi “Inércia”, da Veronica Roth, principalmente porque ele mexe com o tempo e tem pessoas visitando lembranças, algo que amo em livros e filmes, e também porque foi um dos únicos que me fez ficar angustiada pra saber se os dois personagens iam ficar juntos (li esse de uma vez só, pra se ter uma ideia).

Mas, entre todos, com certeza o meu favorito foi “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”, do Lev Grossman. Eu não conhecia esse autor e é certo que vou procurar outros livros dele, pois esse conto fechou a coletânea de um jeito que me fez querer que o livro não acabasse nunca (também li esse de uma vez só). Ele fala sobre um menino que, de alguma forma, ficou preso no dia 4 de agosto. Após cada noite ele acorda novamente no mesmo dia, e parece ser o único a perceber que o dia se repete, pois todas as outras pessoas fazem a mesma coisa todos os dias achando que é a primeira vez. Só aí esse conto já me ganhou de cara, pois, como disse anteriormente, amo estórias que mexem com o tempo. Pra deixar ainda melhor, quando ele encontra uma menina que também sabe que o dia está se repetindo, eles resolvem criar um mapa com todos os “momentos perfeitos” que encontram: colocam a hora exata e o lugar em que eles acontecem pra poder visitar sempre que querem. E além de tudo isso ainda tem um mistério sobre algo que acontece no dia da menina. Perfeito.

Os contos que não gostei tanto foram “Prazer Doentio”, da Francesca Lia Block, que achei a estória completamente sem propósito, “O Último Suspiro do Cinemorte”, da Libba Bray, que era pra dar medo, mas não deu, e “Amor é o Último Recurso”, do Jon Skovron, que achei meio bobinho. Um dos contos, “Em Noventa Minutos, Vá em Direção a North”, da Stephanie Perkins, é a continuação de outro que foi publicado pela autora na coletânea “O Presente do Meu Grande Amor”, que vou procurar, pois gostei muito.

Pra terminar, só posso dizer que é um livro muito bom e que provavelmente agrada a muitos leitores, pois tem um pouco de tudo. Recomendo muito ler agora nas férias, já que ele tem esse clima de verão, mas também é legal para ler durante o ano porque dá pra matar a saudade de vários tipos de livro com estórias curtas que dá pra ler facilmente no curto tempo livre entre as tarefas.

nota 5

leticia

 

Felidae – Resenha

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Título: Felidae
Autor: Akif Pirinçci
Editora: Nova Fronteira
Ano de lançamento: 1995 (original de 1989)
Páginas: 380 p.

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Sinopse: “Uma história policial, dura e nada sentimental, contada do como os gatos vêem as coisas. Eu queria que o meu gato pudesse ler este livro.” Patricia Highsmith

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Francis, um gato, se mudou recentemente para o bairro com o seu dono, em uma casa que não é de seu agrado, e, para piorar a situação, encontra o cadáver de um companheiro de espécie no quintal vizinho. Com o passar do tempo, outros cadáveres começam a aparecer, e Francis inicia uma investigação a respeito. Felidae não difere muito do que seria encontrado em uma história de detetive, a principal diferença sendo que seus personagens são gatos. Um conto violento e pesado, que não poupa detalhes ao detalhar os cadáveres de felinos encontrados em suas páginas, e também os sonhos esquisitos que seu protagonista tem. Também conta com várias curiosidades a respeito da biologia e comportamento dos felinos domésticos. Felidae recebeu uma adaptação para o cinema em 1994 em formato de animação, retendo toda a violência e mistério do romance. Recomendo ambos filme e livro para todos os amantes de gatos.

nota 5

escrito paulo

O Homem de Giz – Resenha

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Título: O Homem de Giz

Autor: C.J. Tudor

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2018

Páginas: 272 p.

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Sinopse: Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.

Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.
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Ganhei este livro de aniversário. Minha amiga estava super entusiasmada quando me deu e até mesmo pediu emprestado logo que eu terminasse a leitura. Não tiro a razão de seu entusiasmo; o livro é lindo. Capa dura, com uma fonte rabiscada para o título, laterais pretas e homenzinhos de giz nos esperando assim que o abrimos para ler. Além disso, o interior também é de tirar o ar. A cada capítulo novo temos uma página completamente preta e o texto em letras brancas! A editora Intrínseca realmente acertou ao lançar essa edição… E devo confessar que cometi um dos maiores erros que um leitor pode cometer – julguei o livro pela capa e estava com altas expectativas.
Ano passado o marketing em cima dele foi grande. Em todo o lado “brotaram” resenhas sobre O Homem de Giz, homenageando a autora e comparando seus livros com o de autores renomados de terror e thriller, como Stephen King e até mesmo Edgar Alan Poe. Não acho que ela tenha feito por merecer esses títulos. Embora tenha acertado em muitos pontos, ela também errou bastante e falta muito para conseguir trilhar um caminho tão grandioso quanto o destes autores. Porém, vale ressaltar que é o primeiro livro dela, então não podemos esperar a perfeição.
Bem, vamos para a história: Eddie, um professor de meia idade está vivendo sua vida normalmente quando seu passado de 30 anos atrás resolve voltar e atormentá-lo… Um passado que envolve ele e seus amigos encontrando uma garota que foi esquartejada com suas partes espalhadas em uma floresta. O grupo de amigos de Eddie é bem do estilo “Stranger Things” e “It – A Coisa”, então se você curte séries e filmes assim, provavelmente vai gostar bastante deles. Como se trata sobre memórias do passado do personagem principal, a autora alterna entre os anos em cada capítulo. Uma hora estamos lendo o Eddie do presente, em 2016, e na outra, o Eddie de 1986. Eu particularmente achei isso muito legal. É bacana ter terminado um capítulo e se deparar com uma página novinha de um ano diferente para continuar.
Assim que Eddie vai nos contando mais, conseguimos ir encaixando a história na nossa cabeça. Mas não se engane; não é um livro fácil de se entender. Na verdade, tive que ler muito atentamente o final para não me perder. Foi uma experiência nova ter que prestar atenção em todos os fatos, ter VONTADE de resolver o mistério e ver o culpado ser punido. Além do mais, o narrador não é muito confiável, pois tem problemas com bebida e também um histórico de Alzheimer na família. C.J Tudor conseguiu me prender no emaranhado de seu enredo.
Os personagens são interessantes, mas poderiam ter sido melhor construídos. Não senti apreço por nenhum em particular, nem mesmo pelo principal. Os amigos de Eddie são até mesmo chatos às vezes. São eles: Gav Gordo, Hoppo, Mickey Metal e Nicky. O único que se salva é o Hoppo, o menos pior dentre eles. De alguma forma a autora fez eles terem mais pontos negativos do que positivos e por isso talvez não cativem todos os leitores. Formam a clássica turma de “rejeitados” da escola, inclusive sofrendo bullying (principalmente Eddie). Logo depois temos o Sr. Halloran, que já conhecemos no primeiro capítulo. Ele será o professor de Eddie e talvez o principal suspeito, pelo menos no início. É um sujeito estranho e pálido, que está sempre usando chapéus e é um tanto sinistro. Ele e Eddie se conhecem num parque de diversões ( seria uma referência a “Joyland”?) e salvam uma garota que caiu de um brinquedo que estragou. Desde aquele dia Eddie tem certo medo, mas também admiração, por seu professor. Outros personagens importantes são, claro, os pais de Eddie, Chloe (sua inquilina no presente) e o Reverendo Martin, pai de Nicky, que não tem uma relação muito boa com a filha. O Reverendo Martin também liderava um grupo de pessoas consideradas extremistas contra a clínica de aborto da mãe de Eddie em 1986.
É um livro bom de ler. Em nenhum momento a autora te faz ter vontade de desistir da leitura, sempre deixando no final de cada capítulo uma ponta solta para desvendar. E esse, na minha opinião, foi o maior problema. Após ter acumulado tanto mistério, senti que as pontas foram resolvidas de qualquer jeito. Muitas falhas, muitas fendas abertas e algumas mal tapadas. A resolução do livro não é nada que você já não tivesse pensado, ou pelo menos cogitado. Talvez consiga surpreender alguns, porém infelizmente não me surpreendeu. O que mais me impressionou não foi o mistério principal, e sim outro que a autora colocou no meio, e que nem foi tão misterioso assim.
Há também um toque de sobrenatural, como os bonecos de giz, os desenhos e as premonições. Cabe ao leitor decidir se foram reais ou alucinações do Eddie.
Concluindo, não é um livro nem muito bom nem muito ruim. É uma leitura diferente, um pouco clichê e um pouco inovadora ao mesmo tempo. Para mim, o final foi decepcionante, pois a autora conseguiu atiçar a curiosidade durante todo o texto, me fazendo ficar até ansiosa e no final não respondeu todas as perguntas. Leia por sua conta e risco. É um livro de extremos – ou você ama, ou odeia.
É claro que ele está maravilhosamente bem colocado na minha estante, mas não na minha consciência crítica…
nota 3
escrito mari

A Guerra dos Mundos

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Título: A Guerra dos Mundos

Autor: H.G. Wells

Editora: L&PM Pocket

Ano de publicação: 2017 (original de 1897)

Páginas: 255 p.

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Sinopse: E se de repente marcianos invadissem a Terra e começassem a eliminar todos os homens que encontrassem pela frente? E se esse fosse pens o primeiro passo para dizimar a civilização O mundo, como conhecido até então, deixaria de existir. As cidades, as organizas políticas e as leis de nada valeriam. Sobreviver se tornaria quase impossível. Este é o universo criado por H.G. Wells em A guerra dos mundos, uma das histórias de ficção científica mais influentes da literatura.

Publicado pela primeira vez em capítulos em 1897 e depois reunido em livro no ano seguinte, um do primeiros romances sobre invasão alienígena inspirou filmes e diversas adaptações, sendo a mais conhecida a transmissão radiofônica de Orson Welles em 1938, até hoje estudada nos cursos de comunicação: milhares de ouvintes americanos teriam entrado em pânico por achar que se tratava de um verdadeiro ataque marciano, tamanho o realismo e a força desta surpreendente narrativa.

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Após a queda de alguns cilindros vindos do espaço, que se revelaram conter marcianos e suas máquinas em seu interior, a Terra se vê em guerra com uma força superior devastadora, que destrói cidades com facilidade e extermina pessoas com seus raios de calor, em conjunto com uma fumaça preta tóxica.

O narrador do livro é um escritor, que no início dos acontecimentos manda sua mulher ir para a casa de seu irmão em razões de segurança. Após um ataque maciço contra as localidades em que se encontra, ele decide se encontrar com sua esposa e inicia uma terrível jornada.

O livro foi escrito no século XIX, portanto, diferente da adaptação para o cinema de 2005, os sobreviventes fogem com carroças e bicicletas; os soldados usam canhões de batalha. A época e local em que o livro ocorre (Inglaterra, fim do século XIX) torna a leitura bastante interessante: uma visão de como seria uma invasão alienígena no passado, no contexto de que nos acostumamos com situações semelhantes ocorrendo na contemporaneidade, geralmente devido aos filmes.

Recomendo a leitura para quem quer presenciar um ataque marciano em uma época diferente, além de ser um clássico da ficção científica. Também recomendo as duas adaptações para o cinema, que ocorrem também em épocas diferentes: a versão de 1953 e a de 2005.

nota 3

escrito paulo

O Clube dos Anjos

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Título: O Clube dos Anjos
Autor: Luis Fernando Verissimo
Editora: Objetiva
Número de Páginas: 130 p.
Ano de publicação: 1998

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Sinopse: Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach, ou amar uma suculenta mulher, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão, acaba, o poder acaba – Mas a fome continua.
O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Verissimo, é uma insólita e bem-humorada celebração da gula, na série Plenos Pecados. O livro conta a história de dez homens que se entregaram a está afinidade animal, a fome em bando – sem temer a morte. Na verdade, a perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado.

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Antes de qualquer coisa eu preciso dizer que esse livro me tirou de uma ressaca literária que já durava muito tempo. Há mais de um ano eu não sentia a vontade de ler que sempre tive e, consequentemente, não acabava tão rápido os livros quanto costumava, mas O Clube dos Anjos me fez ler não apenas para matar minha fome de livros, mas também atiçou a minha “gula”.

A estória gira em torno de 10 amigos que mantém jantares mensais um na casa do outro há 21 anos. Ao longo do tempo, os encontros que começaram em uma mesa de bar, tendo como prato principal um picadinho, evoluíram para jantares com pratos sofisticados e fizeram dos dez amigos críticos gastronômicos reconhecidos.

Porém, por ser uma amizade de tantos anos, existem entre eles algumas farpas, e há tempos os jantares já não tinham mais a leveza que costumavam ter. É quando um deles conhece por acaso um cozinheiro – Lucídio – e decide levar ele para cozinhar o próximo jantar.

Certo, até aí tudo bem, mas acontece que na noite após esse jantar, um dos participantes, o André, passa mal e morre de parada-cardíaca. O prato que fora servido era seu favorito, e ele foi o único a repetir. E essa mesma situação se repete a cada mês, participante por participante.

Dá uma agonia imensa ver os amigos morrendo, um por um, e não entender o motivo – Já adianto que eu não me agradei muito com ele, quando finalmente foi revelado. Agonia maior ainda é que eles continuam se encontrando mês a mês, mesmo sabendo o que provavelmente vai acontecer.

Isso me fez ficar pensando sobre um vício: a pessoa sabe que ele faz mal, no entanto continua fazendo pois o prazer que ele dá momentaneamente é grande. Principalmente o fim da estória desencadeia essa reflexão.

Eu só havia lido crônicas do Luis Fernando Verissimo, mas amei demais sua maneira de escrever romances. Como eu disse antes, ele me prendeu de um jeito que há muito um livro já não me prendia, eu acabei ele em um dia e depois disso já engatei outra leitura. Ele me fez voltar a sentir vontade de ler a qualquer hora.

Indico muito, muito, só não dei 5 estrelinhas porque realmente achei que a justificativa do assassino não ficou a altura do desenrolar do mistério.

nota 4

leticia

 

 

Para Todos os Garotos que Já Amei – Resenha

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Título: Para Todos os Garotos que já Amei
Autora: Jenny Han
Editora: intrínseca
Páginas: 350 p.
Ano de publicação: 2015

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Sinopse:  Lara Jean Guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que já amou – cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

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E se tudo que você já escreveu pensando em alguém fosse parar nas mãos da pessoa em questão? Quem, assim como eu, tem o costume de escrever, sabe o quão profundas podem ser as palavras que colocamos no papel. É exatamente isso que acontece em Para Todos os Garotos que já Amei.

Lara Jean escreve cartas quando deseja pôr um ponto final nos crushs que nunca se concretizam. É dessa maneira que ela coloca o sentimento pra fora e tenta acabar com ele. Ela já escreveu 5 – uma para cada garoto que já amou – e endereçou todas, embora, obviamente ela nunca tenha a intenção de mandar. Acontece que, de alguma maneira, cada uma das cartas é enviada ao seu destinatário, inclusive ao seu crush atual, Josh, que coincidentemente é o (ex-)namorado da irmã dela.

Tentando fazer com que o Josh pense que a sua paixão por ele acabou há muito tempo, Lara faz um acordo com um dos outros destinatários, o Peter, que era amigo dela no ensino fundamental e atualmente é um dos meninos mais “crushados” da escola: eles vão fingir estar namorando, assim a Lara consegue manter sua amizade com Josh e não magoar a sua irmã, Margot, e o Peter pode fazer ciúmes na ex-namorada que acabou de terminar com ele.

Essa ideia tem tudo pra dar errado, né? Pois é, foi exatamente o que eu pensei. Mas o que vemos acontecer aos poucos é o “namoro de mentira” se tornar uma amizade de verdade, e chegou num ponto que eu comecei a “shipar” muito eles dois. Mas o livro acaba numa parte que dá agonia, sem NENHUMA resposta ou indício do que vai acontecer. Preciso muito ler o segundo.

Eu assisti o filme do Netflix antes de ler (na verdade eu fui ler porque gostei do filme) e, comparando um com o outro, prefiro o filme na maior parte do tempo, principalmente a irmã mais nova da Lara, Kitty. Achei a personagem muito melhor construída na adaptação. A única parte em que o livro vence é no final. Quando eu estava assistindo, pensei: “Hummm, isso aí tá muito corrido, no livro deve levar bem mais tempo pra tudo se resolver”, e realmente, o final tem um desenvolvimento bem mais longo.

Eu acho que a relação da Lara e do Peter poderia ter sido melhor aprofundada (como foi no filme), eles poderiam ter criado mais cumplicidade. No entanto, isso é apenas algo que eu gostaria que tivesse acontecido, não prejudica a estória. Vou torcer pra que nos próximos isso aconteça.

É clichê? Bem, como todas as estórias de romance, ela tem vários detalhezinhos clichês (pra falar a verdade, eu nunca li um livro de romance que conseguisse fugir completamente disso, se alguém souber, por favor, me indica), mas isso não me incomodou, pois a trama principal é BEM original. Amei muito essa ideia das cartas, consegui sentir o pânico da Lara ao saber que os ex-crushs todos sabiam exatamente o que ela sentia e pensava de cada um. Quem escreve vai facilmente se identificar.

Indico demais, é uma leitura muito leve e prazerosa, um daqueles romances “fofinhos”, que faz o coração acelerar e não dá vontade de parar de ler até terminar!

nota 5

leticia

O Assassinato de Roger Ackroyd – Resenha

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Título: O assassinato de Roger Ackroyd

Autora: Agatha Christie

Ano de publicação: 1926

Editora: Globo Livros

Nº de páginas: 483 p.

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Sinopse: Uma misteriosa sequência de três crimes. Uma velha senhora desconfiada. Um famoso detetive belga de férias, procurando alguma emoção. Este é o ponto de partida de O assassinato de Roger Ackroyd, um dos mais famosos romances policiais de Agatha Christie, em que está presente seu estilo inconfundível de promover uma verdadeira ciranda de suspeitos, em que o leitor é envolvido e para a qual ele é convidado a usar toda a sua inteligência e perspicácia.
Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes iniciada a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio. 
Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do Dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de Miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila.
Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por Miss Ferrars compõe o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações.

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Devo confessar que sou totalmente viciado em romances policiais bem escritos, e desde que li todos os contos do Sherlock Holmes, escritos pelo autor Arthur Conan Doyle, fiquei desapontado e ansioso por novos mistérios. Entretanto, ao me deparar com Agatha Christie e deu universo fabuloso que nos presenteou com dois detetives: Poirot e Miss Marple, devo confessar que fui fisgado.

O livro em questão é narrado em primeira pessoa, e esse personagem-narrador tem a difícil missão de nos contar o triste falecimento de seu amigo, Dr. Roger Ackroyd. Todavia, no desenrolar da trama, mais personagens são inseridas como suspeitas (o que particularmente me confunde muito, pois Agatha sempre escreve seus textos com muitos personagens, o que torna difícil a compreensão da história, pois temos que decorar o nome de todos).

O final do livro me deu um choque tremendo, que precisei de um bom tempo para me recuperar, uma vez que, a partir de uma reviravolta de última hora, ficamos todos de queixo caído com a revelação do assassino. Recomendo muito este livro, porque é bem detalhado, com surpresas e mistérios que te prendem do começo ao fim.

nota 5

escrito oxi

Joyland – Resenha

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Título: Joyland

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Ano de Pulicação: 2013

Nº de páginas: 288 p.

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Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

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Stephen King é definitivamente o rei do suspense e mistério atual. Não é o primeiro livro que leio dele e com certeza não será o último, e posso afirmar que o estilo de sua escrita é impecável em todas as páginas que já escreveu. Joyland não é uma exceção. É uma história profunda, envolvente e até mesmo triste ( no final principalmente).

Não recomendo muito para quem está procurando um terror de gelar os ossos, e sim para quem quer um entretenimento. É um livro bom, rápido de ler, e realmente tem uma história convincente. Para os fãs do autor, é realmente um romance imperdível. Não é muito conhecido, mas nem por isso deixa de ser bom- ele tem uma pegada cult, meio alternativa mesmo. Isso faz ser um livro original e único, bem do jeitinho do Stephen. O livro também se passa durante os anos 70 – com muitas referências a bandas e artistas da época.

O único ponto ruim do livro é que, em algumas vezes, sentimos que a história não flui e o clímax nunca acontece.   Mas se tiver paciência, ele chaga bem no final… Talvez não do jeito que esperava-se.

Uma coisa boa do livro é que todos os personagens foram muito bem construídos. Tom, Lane, Erin, Annie, Mike… Nos sentimos em outra época, em um parque de diversões de verdade com pessoas de carne e osso. Todas tem suas falhas, suas qualidades e jeito de ser. Algumas não gostamos, algumas adoramos. Uma das intenções de Stephen era fazer um contraste com a juventude e a velhice, então temos pessoas de várias idades e também observamos os personagens principais, Tom, Erin e Devin, quando já estão mais velhos. Além do mais, a história em si é frágil. Não tem a intenção de assustar, apenas de ser densa e conseguir atingir o leitor de alguma maneira.

Temos o personagem principal, Devin Jones. É um cara legal. Facilita a leitura ter uma pessoa como ele narrando, principalmente porque não há nada que te faça desgostar dele – na realidade, eu realmente fiquei com um pouco de pena dele no começo e depois comecei a torcer para que resolvesse o mistério e encaixasse todas as peças do quebra-cabeça.  É um personagem deveras carismático, tanto com o leitor quanto com as pessoas com quem interage no parque.

Devin vai trabalhar em Joyland, um parque temporário, para juntar uma grana para a faculdade. É muito otimista e apaixonado… no começo. Stephen conseguiu transformar o Dev do início em um jovem depressivo que ouve The Doors na cama. Ele teve essa recaída porque seu coração foi quebrado. Isso o fez crescer como pessoa e focar seus interesses em outras coisas. Um delas é o o assassinato de Linda Gray – principalmente o paradeiro do assassino e o que realmente aconteceu no dia da morte de Linda. Minha teoria é que ele ficou tão interessado no caso para no íntimo esquecer os seus próprios problemas, tentando assim resolver o dos outros.

O mistério de Linda Gray é bem cativante, ainda mais porque Stephen colocou um toque paranormal. Seu espírito assombra o Horror House ( claro que tinha que ser uma casa de horror), pois foi lá que foi morta, mais especificamente em um dos carrinhos no canto mais escuro. Devin fica curioso quando sabe disso, até porque lendas e mitos em parques são coisas clássicas – ele nega, mas tem uma certa “alma de parque” em seu interior que o faz gostar tanto disso.  Quer ver o espírito e ajudá-lo, mais por curiosidade e busca por adrenalina. Mas depois sua intenção é realmente sincera, e isso fica bem claro. Devin realmente mergulha de cabeça neste caso de homicídio.

Ele recebe a ajuda de várias pessoas, incluindo Erin ( sua amiga e também a mulher por quem tem uma queda). Porém a pessoa mais importante para a resolução de tudo isso é Mike. Sua mediunidade pode ser um fardo para ele ( é meio ruim prever o próprio futuro o das pessoas em volta ), mas mesmo assim ele apoia e auxilia Devin.

Nunca se esqueça que nem tudo é fantasia. Ao longo do livro fica bem claro que o assassino é bem real – real demais. Ele ainda está a solta, e é o que faz o espírito de Linda se revirar e clamar por justiça – justiça por a ter matado e estuprado, e ter feito o mesmo com outras meninas que ainda tinham muito para viver.

Sem sombra de dúvida, um dos meus livros favoritos. Além de ter um design muito lindo <3, a escrita de Stephen é informal e cativante, misturando realidade com fantasia com maestria. Quando abrir a primeira página, é difícil resistir e não se encantar. É um ótimo livro para passar o tempo e mergulhar fundo. Tenho somente altas recomendações para dar uma chance e ler!

nota 5

escrito mari

Poliana – Resenha

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Título: Poliana

Autor: Eleanor H. Porter

Editora: Ediouro

Ano de Pulicação: 2001

Nº de páginas: 174 p.

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Sinopse: narrativa que impressiona leitores do mundo todo pela intemporalidade de temas que fazem de Poliana uma obra eterna e ainda hoje um grande sucesso, pois resgata valores pessoais como bondade, respeito e solidariedade.
É a comovente história de Poliana, órfã de pai e mãe, que vive muitas dificuldades mas aprende com o pai, um homem sábio, o “jogo do contente&quot;, que a fortalece no dia-a-dia. Então o ensina aos outros para transmitir algo bom.
A obra desencadeou nos Estados Unidos e no mundo uma impressionante onda de esperança, otimismo, boa vontade e sensibilidade às questões alheias. Uma verdadeira batalha de humanização!

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Poliana é órfã de mãe desde pequena, e quando perde também seu pai, é levada para morar com sua tia Paulina, uma mulher de muitas posses, mas que é também muito amarga. Acontece que Poliana é uma menina extremamente otimista, que logo cativa a todos com sua alegria e o “jogo do contente”: uma “brincadeira” que consiste em encontrar algo feliz em todas as coisas, mesmo as que parecem não ter nada de bom. Fiquei com uma vontade muito grande de tentar esse jogo, porém a própria Poliana admite em certo momento que é muito mais fácil falar aos outros o que existe de bom no que eles estão passando, do que encontrar algo bom quando nós estamos passando por uma situação difícil.

“É fácil ensinar os inválidos a se sentirem contentes, mas quando isso acontece com a gente, diz ela que é diferente. (…)Ela costumava dizer que o jogo fica mais bonito à medida que fica mais difícil e ela falou que estava errada quando pensava assim.” P.148,149

É muito bonito ver como a Poliana consegue colocar alegria na vida de cada pessoa que encontra, simplesmente mostrando a elas uma coisa boa em situações em que todo mundo só enxerga tristeza. Me fez ficar pensando naquelas pessoas que aparecem pra gente quando não estamos bem e levam os sentimentos ruins embora (muitas vezes sem nem saber que eles existem). Todos nós podemos ser uma “Poliana” na vida de alguém.
A estória do livro é muito cativante e fofa, porém eu achei o final “corrido”. Tem muitas coisas que poderiam ter sido melhor explicadas, poderia ser um livro BEM maior. Eu teria gostado muito de passar mais tempo dentro dessa estória e ter descoberto mais sobre cada um dos personagens.
Não sei o quê, mas algo me lembrou vagamente “Clarissa”, do Érico Veríssimo. Não sei se foi a inocência da Poliana, o fato de ela ir morar com a tia ou a descrição dos vizinhos e amigos, mas eu tive a mesma sensação ao ler. Ainda considero “Clarissa” melhor, mas uma estória lembra a outra.
Eu gosto muito quando encontro um clássico gostoso de ler, pois até um tempo atrás eu fugia dessas leituras porque achava massante. “Poliana” é ótimo pra ler rapidinho, entre dois livros mais “pesados”, porém sem deixar de refletir sobre a vida.

nota 4

leticia

Um Gato de Rua Chamado Bob – Resenha

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Título: Um Gato de Rua Chamado Bob

Autor: James Bowen

Editora: Novo Conceito

Ano de Pulicação: 2013

Nº de páginas: 240 p.

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Sinopse: É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri — é, sorri — timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: “Vamos, Bob, cumprimente!”, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento — mas Bob não é um gato comum…

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Não haveria outra maneira de eu começar essa resenha sem declarar todo o meu amor pelos felinos peludos. Sempre fui fã dessa companhia, a famosa gateira, e é óbvio, quando vi esse livro fiquei morrendo de vontade de lê-lo. Então eu finalmente li, e o que deu?!

O que deu é que eu morri de amores por essa incrível obra baseada em uma história real. Ela já começa te cativando, mas muito pelo contrário do esperado ela não começa pelo gato, mas sim pelo seu futuro dono. Aí está meus primeiros elogios ao livro. Pensa num personagem com personalidade forte! James (que é o escritor do livro) é um músico “fracassado” e ex usuário de drogas que para sobreviver toca nas ruas de Londres. Sua realidade é dura e o livro aos poucos vai te mostrando cada vez mais isso. Em seguida somos apresentados ao Bob, um gatinho laranja que ele acha perto de sua casa. O trabalho de escrita aqui é fenomenal! Temos um personagem que é um animal não falante o que torna difícil a sua expressão de sentimentos e é aí que entra o trabalho de escrita maravilhoso feito pelo James. Ele consegue transmitir o sentimento do gatinho sem fazê-lo dizer uma palavra ou expor pensamentos. Tudo é feito através de ações e indagações do James sobre as mesmas, o que nos aproxima muito da realidade, pois quem tem gato em casa sabe como estamos sempre tentando decifrá-los.

A química entre os dois é perfeita, ambos são sofredores da vida e conhecem a dura realidade do mundo. Isso tudo é refletido em suas ações e maneira de enxergar a vida, o que nos faz compreender a essência do personagem. Ressalto para as críticas sociais que estão repletas durante todo o livro. Se prepare para refletir muito!

Terminei esse livro chorando e tendo a certeza que li o mais puro relato de amor entre humano e animal. Uma história incrível que vale a pena ser conferida até para os mais desgostosos com os gatinhos!

love

escrito duda