O Homem de Giz – Resenha

250x

Título: O Homem de Giz

Autor: C.J. Tudor

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2018

Páginas: 272 p.

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Sinopse: Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.

Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.
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Ganhei este livro de aniversário. Minha amiga estava super entusiasmada quando me deu e até mesmo pediu emprestado logo que eu terminasse a leitura. Não tiro a razão de seu entusiasmo; o livro é lindo. Capa dura, com uma fonte rabiscada para o título, laterais pretas e homenzinhos de giz nos esperando assim que o abrimos para ler. Além disso, o interior também é de tirar o ar. A cada capítulo novo temos uma página completamente preta e o texto em letras brancas! A editora Intrínseca realmente acertou ao lançar essa edição… E devo confessar que cometi um dos maiores erros que um leitor pode cometer – julguei o livro pela capa e estava com altas expectativas.
Ano passado o marketing em cima dele foi grande. Em todo o lado “brotaram” resenhas sobre O Homem de Giz, homenageando a autora e comparando seus livros com o de autores renomados de terror e thriller, como Stephen King e até mesmo Edgar Alan Poe. Não acho que ela tenha feito por merecer esses títulos. Embora tenha acertado em muitos pontos, ela também errou bastante e falta muito para conseguir trilhar um caminho tão grandioso quanto o destes autores. Porém, vale ressaltar que é o primeiro livro dela, então não podemos esperar a perfeição.
Bem, vamos para a história: Eddie, um professor de meia idade está vivendo sua vida normalmente quando seu passado de 30 anos atrás resolve voltar e atormentá-lo… Um passado que envolve ele e seus amigos encontrando uma garota que foi esquartejada com suas partes espalhadas em uma floresta. O grupo de amigos de Eddie é bem do estilo “Stranger Things” e “It – A Coisa”, então se você curte séries e filmes assim, provavelmente vai gostar bastante deles. Como se trata sobre memórias do passado do personagem principal, a autora alterna entre os anos em cada capítulo. Uma hora estamos lendo o Eddie do presente, em 2016, e na outra, o Eddie de 1986. Eu particularmente achei isso muito legal. É bacana ter terminado um capítulo e se deparar com uma página novinha de um ano diferente para continuar.
Assim que Eddie vai nos contando mais, conseguimos ir encaixando a história na nossa cabeça. Mas não se engane; não é um livro fácil de se entender. Na verdade, tive que ler muito atentamente o final para não me perder. Foi uma experiência nova ter que prestar atenção em todos os fatos, ter VONTADE de resolver o mistério e ver o culpado ser punido. Além do mais, o narrador não é muito confiável, pois tem problemas com bebida e também um histórico de Alzheimer na família. C.J Tudor conseguiu me prender no emaranhado de seu enredo.
Os personagens são interessantes, mas poderiam ter sido melhor construídos. Não senti apreço por nenhum em particular, nem mesmo pelo principal. Os amigos de Eddie são até mesmo chatos às vezes. São eles: Gav Gordo, Hoppo, Mickey Metal e Nicky. O único que se salva é o Hoppo, o menos pior dentre eles. De alguma forma a autora fez eles terem mais pontos negativos do que positivos e por isso talvez não cativem todos os leitores. Formam a clássica turma de “rejeitados” da escola, inclusive sofrendo bullying (principalmente Eddie). Logo depois temos o Sr. Halloran, que já conhecemos no primeiro capítulo. Ele será o professor de Eddie e talvez o principal suspeito, pelo menos no início. É um sujeito estranho e pálido, que está sempre usando chapéus e é um tanto sinistro. Ele e Eddie se conhecem num parque de diversões ( seria uma referência a “Joyland”?) e salvam uma garota que caiu de um brinquedo que estragou. Desde aquele dia Eddie tem certo medo, mas também admiração, por seu professor. Outros personagens importantes são, claro, os pais de Eddie, Chloe (sua inquilina no presente) e o Reverendo Martin, pai de Nicky, que não tem uma relação muito boa com a filha. O Reverendo Martin também liderava um grupo de pessoas consideradas extremistas contra a clínica de aborto da mãe de Eddie em 1986.
É um livro bom de ler. Em nenhum momento a autora te faz ter vontade de desistir da leitura, sempre deixando no final de cada capítulo uma ponta solta para desvendar. E esse, na minha opinião, foi o maior problema. Após ter acumulado tanto mistério, senti que as pontas foram resolvidas de qualquer jeito. Muitas falhas, muitas fendas abertas e algumas mal tapadas. A resolução do livro não é nada que você já não tivesse pensado, ou pelo menos cogitado. Talvez consiga surpreender alguns, porém infelizmente não me surpreendeu. O que mais me impressionou não foi o mistério principal, e sim outro que a autora colocou no meio, e que nem foi tão misterioso assim.
Há também um toque de sobrenatural, como os bonecos de giz, os desenhos e as premonições. Cabe ao leitor decidir se foram reais ou alucinações do Eddie.
Concluindo, não é um livro nem muito bom nem muito ruim. É uma leitura diferente, um pouco clichê e um pouco inovadora ao mesmo tempo. Para mim, o final foi decepcionante, pois a autora conseguiu atiçar a curiosidade durante todo o texto, me fazendo ficar até ansiosa e no final não respondeu todas as perguntas. Leia por sua conta e risco. É um livro de extremos – ou você ama, ou odeia.
É claro que ele está maravilhosamente bem colocado na minha estante, mas não na minha consciência crítica…
nota 3
escrito mari

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